Selic em queda: como os juros afetam quem quer abrir franquia
Por Rafael Vivian Gmeiner · Publicado em 20/10/2026 às 19h56
A taxa básica caiu 1,25 ponto desde março, mas segue entre as mais altas do mundo. Para o franqueado, a hora é de planejar, não de se endividar sem conta feita
Os juros e as franquias voltaram a dividir a mesma pauta. Em 16 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, em decisão unânime. Foi o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual em 2026.
O ciclo começou em março, quando a taxa saiu de 15%, nível em que estava desde junho de 2025 e o mais alto em quase duas décadas.
| Reunião do Copom em 2026 | Selic definida |
| Janeiro | 15,00% |
| Março | 14,75% |
| Abril | 14,50% |
| Junho | 14,25% |
| Agosto | 14,00% |
| Setembro | 13,75% |
Não há reunião em outubro. A próxima decisão sai em 4 de novembro, e a última do ano, em 9 de dezembro. O mercado, segundo o Boletim Focus, projeta a Selic em torno de 13,50% no fim de 2026.
Por que os juros pesam tanto no franchising
A própria ABF aponta o custo de capital como o principal desafio do setor no segundo semestre. Juros altos afetam a franquia por três caminhos:
- Investimento inicial. Quem financia parte da taxa de franquia, da obra e do estoque paga mais caro pelo dinheiro e alonga o retorno.
- Capital de giro. Estoque, folha e aluguel dependem de caixa. Com crédito caro, qualquer descasamento entre receita e despesa custa mais.
- Consumo. Famílias endividadas compram menos bens de maior valor. Por isso o crescimento recente se concentra em serviços recorrentes e itens de necessidade.
O Copom, porém, mantém cautela. No comunicado de setembro, projetou inflação de 5,2% em 2026, acima da meta, e afirmou que o tamanho total do ciclo de cortes dependerá de novas informações. Ou seja, a queda tende a ser gradual.
O que muda na prática para o investidor
Com juros ainda acima de 13%, a renda fixa continua competitiva. Isso significa que a franquia precisa entregar retorno claramente superior ao que o dinheiro renderia parado, para compensar o risco do negócio.
Algumas recomendações para este momento:
- Prefira formatos de menor CAPEX. Modelos compactos, quiosques e microfranquias reduzem a necessidade de financiamento e aceleram o payback.
- Calcule o payback com juros reais. Use o custo efetivo do empréstimo, e não apenas a taxa nominal anunciada.
- Reserve capital de giro. Planeje pelo menos seis meses de despesas fixas antes de inaugurar.
- Negocie com a franqueadora. Parcelamento da taxa de franquia, carência de royalties e parcerias com bancos são cada vez mais comuns nas redes.
- Evite trocar dívida cara por dívida longa sem plano. A queda da Selic leva meses para chegar às taxas cobradas na ponta.
Um respiro para a expansão em 2027
Para as franqueadoras, a perspectiva de juros menores em 2027 abre espaço para retomar projetos de abertura e reforma de lojas que ficaram na gaveta. Redes com muitos multifranqueados, que têm mais acesso a crédito e escala de negociação, devem ser as primeiras a acelerar.
O cenário exige atenção, porém, a fatores que podem frear os cortes, como câmbio, inflação de serviços e o novo custo de folha trazido pelo fim da escala 6×1.
Com 45 anos, é jornalista, especialista em Produção de Conteúdo. É CEO e fundador da Agência VitalCom, editor e fundador do site Mundo das Franquias; e editor e co-fundador do site Educação & tendências. Há mais de 25 anos atuando com Jornalismo e Comunicação, conta sua experiência com passagens por jornais impressos, televisão, rádio e sites, mas se estabeleceu com mais propriedade na Assessoria de Imprensa, onde já acumula 14 anos de vivência. Além disso, é produtor de conteúdo, em especial para o ambiente online, que requer técnicas de SEO, otimização de textos para melhor posicionamento nos buscadores.
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