Uso de inteligência artificial nas franquias
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Uso de inteligência artificial nas franquias

Por Rafael Vivian Gmeiner · Publicado em 21/10/2026 às 13h23

Pesquisa da ABF mostra ganho de produtividade em 73% das redes que usam IA. Veja as aplicações que mais avançam no franchising em 2026

A inteligência artificial nas franquias entrou na fase prática. Depois de um ciclo de testes e entusiasmo, as redes brasileiras passaram a cobrar da tecnologia o que cobram de qualquer investimento: retorno.

Pesquisa da Associação Brasileira de Franchising (ABF) sobre o uso de IA pelas redes mostra que chatbots e assistentes virtuais são as aplicações mais comuns, seguidos por ferramentas de IA generativa para produção de textos. Entre as redes usuárias, 73% relatam aumento de produtividade e 63% citam a automação de tarefas repetitivas como principal ganho.

IA a serviço da operação, não da vitrine

A IA é uma das tendências do franchising para 2026 apontadas pela ABF, ao lado de omnicanalidade, interiorização e fusões e aquisições. O tom da entidade, porém, é pragmático.

Para o vice-presidente da ABF, Decio Pecin, o objetivo é eficiência, uso de dados e decisões mais rápidas que aumentem a rentabilidade das unidades. Ele resume a equação assim: “não podemos deixar de ser high touch”. Ou seja, a tecnologia potencializa o atendimento humano, mas não o substitui.

Na mesma linha, o conselheiro Juarez Leão avalia que a tecnologia passou a impactar diretamente o resultado financeiro das redes, e que franqueadoras sem controle de custos e dados confiáveis tendem a perder relevância.

Onde a IA já faz diferença no franchising

Atendimento ao cliente. Assistentes no WhatsApp e no site respondem dúvidas, fazem agendamentos e recebem pedidos fora do horário comercial, liberando a equipe da loja para a venda.

Suporte ao franqueado. Redes treinam assistentes com manuais, padrões e procedimentos. O franqueado consulta a qualquer hora, e o consultor de campo foca em casos complexos.

Previsão de demanda e estoque. Modelos que cruzam histórico de vendas, clima e calendário ajudam a reduzir ruptura e desperdício, algo crítico em alimentação.

Gestão de escalas. Com o fim da escala 6×1, ferramentas que montam turnos a partir do fluxo previsto de clientes ganham urgência.

Expansão. Dados de geolocalização e consumo apoiam a escolha de cidades e pontos, especialmente no interior.

Marketing local. A IA generativa acelera a criação de campanhas adaptadas a cada praça, dentro do padrão da marca.

Lojas autônomas: o caso mais visível

A automação aparece com força no varejo de conveniência. A Market4u informa mais de 2.700 unidades em operação e meta de chegar a 4 mil até o fim de 2026.

Apesar de não ser reconhecido pela ABF, a modalidade de licenciamento que tem sido recorrente em redes de franquias também se beficia com a IA. A InHouse Market, que opera apenas no modelo de licenciamento, e não de franquia, traz muita solidez de mercado com cerca de 1.800 lojas autônomas, mira 2 mil unidades no ano e reflete bem a força da IA neste segmento.

São modelos de investimento menor, que operam em condomínios, empresas e hospitais com mínima presença de funcionários. Na ABF Franchising Expo 2026, fornecedores como a TOTVS Linx apresentaram sistemas de gestão com IA embarcada para varejo e food service.

Como o franqueado pode começar

  1. Pergunte à franqueadora quais ferramentas de IA a rede já homologou e quais dados estão disponíveis por unidade.
  2. Comece por um problema concreto, como fila no atendimento digital ou perdas de estoque.
  3. Defina antes um indicador de sucesso, como tempo de resposta, ticket médio ou desperdício.
  4. Proteja dados de clientes e siga a Lei Geral de Proteção de Dados.
  5. Treine a equipe. Sem adoção no dia a dia, a ferramenta não entrega resultado.
Rafael Vivian Gmeiner
Rafael Vivian Gmeiner

Com 45 anos, é jornalista, especialista em Produção de Conteúdo. É CEO e fundador da Agência VitalCom, editor e fundador do site Mundo das Franquias; e editor e co-fundador do site Educação & tendências. Há mais de 25 anos atuando com Jornalismo e Comunicação, conta sua experiência com passagens por jornais impressos, televisão, rádio e sites, mas se estabeleceu com mais propriedade na Assessoria de Imprensa, onde já acumula 14 anos de vivência. Além disso, é produtor de conteúdo, em especial para o ambiente online, que requer técnicas de SEO, otimização de textos para melhor posicionamento nos buscadores.

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