Franquias no interior: cidades médias viram prioridade

Franquias no interior: cidades médias viram prioridade

Por Rafael Vivian Gmeiner · Publicado em 22/10/2026 às 15h32

Em um ano, a presença do franchising saltou de 61% para 69% das cidades brasileiras. Agronegócio, renda regional e custos menores explicam a corrida para fora das capitais

As franquias no interior deixaram de ser plano B. O franchising está presente em 3.828 municípios, o equivalente a 69% das cidades do país, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Em 2024, o índice era de 61%.

A interiorização integra a lista oficial de tendências da ABF para 2026. Para Cristina Franco, presidente do Conselho da entidade, a ida a cidades médias e pequenas se consolidou como estratégia estrutural de crescimento sustentável, e não mais como movimento pontual.

O que atrai as redes para fora das capitais

Agronegócio. Municípios impulsionados pelo agro concentram renda, consumo e novos polos econômicos, sobretudo no Sul, no Centro-Oeste e no interior do Sudeste.

Custos menores. Aluguel, mão de obra e ocupação costumam ser mais baixos, o que melhora o retorno do investimento.

Menos concorrência. Em muitas cidades, a marca franqueada chega antes dos grandes concorrentes e conquista a preferência local.

Cidades polo. Municípios que atraem consumidores de cidades vizinhas ampliam o raio de influência de uma única unidade.

O ranking da ABF com as 30 cidades que mais cresceram em número de unidades reforça o movimento: 14 delas não são capitais.

Quem está acelerando

O Bob’s é um dos exemplos mais visíveis. A rede projeta R$ 1,8 bilhão em faturamento e mais de 150 novas unidades em 2026, com foco em mercados regionais. Em junho, inaugurou loja em Corumbá, no Mato Grosso do Sul.

A OrthoDontic, rede de clínicas nascida em Londrina, no Paraná, já tem unidades em 24 cidades com menos de 50 mil habitantes. Giraffas, FarMelhor, Cebrac, Cellep e o Grupo Avend também apresentaram planos voltados a cidades médias e pequenas na ABF Franchising Expo 2026.

Algumas redes criaram formatos específicos para municípios menores, com investimento reduzido e projeção de faturamento compatível com a demanda local.

O que muda na operação

A ABF observa que aprofundar a capilaridade exige adaptação. Isso pode significar revisar o mix de produtos, ajustar preços, reduzir o tamanho da loja ou criar modelos móveis e compactos.

O franqueado do interior costuma ser alguém da própria cidade, com rede de relacionamento local. Esse capital social pesa tanto quanto o capital financeiro para o sucesso da unidade.

Como avaliar uma franquia para cidade pequena

  1. Confira o tamanho de mercado mínimo exigido pela rede. Algumas franquias definem população mínima por unidade.
  2. Estude a renda e o perfil de consumo. Dados do IBGE e da prefeitura ajudam a medir o potencial.
  3. Avalie a logística. Distância do centro de distribuição e frequência de entrega afetam estoque e custo.
  4. Pergunte sobre suporte remoto. Consultoria de campo, treinamento online e sistemas integrados fazem diferença longe das capitais.
  5. Verifique a exclusividade territorial. Em cidades pequenas, uma segunda unidade da mesma marca pode dividir demais o mercado.

Para o investidor, o interior oferece a chance de ser pioneiro com uma marca conhecida. Para as redes, é onde está boa parte do crescimento dos próximos anos.

Rafael Vivian Gmeiner
Rafael Vivian Gmeiner

Com 45 anos, é jornalista, especialista em Produção de Conteúdo. É CEO e fundador da Agência VitalCom, editor e fundador do site Mundo das Franquias; e editor e co-fundador do site Educação & tendências. Há mais de 25 anos atuando com Jornalismo e Comunicação, conta sua experiência com passagens por jornais impressos, televisão, rádio e sites, mas se estabeleceu com mais propriedade na Assessoria de Imprensa, onde já acumula 14 anos de vivência. Além disso, é produtor de conteúdo, em especial para o ambiente online, que requer técnicas de SEO, otimização de textos para melhor posicionamento nos buscadores.

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