Os segmentos que mais crescem no franchising, e por quê
Por Rafael Vivian Gmeiner · Publicado em 02/11/2026 às 01h41
Alimentação, saúde e beleza, limpeza e serviços de conveniência puxam o setor de franquias em 2026. Entenda o que está por trás de cada alta e o que isso significa para quem pensa em investir
O franchising brasileiro vive um ano de crescimento firme, mesmo em um ambiente pouco amigável. Juros altos, crédito mais restrito e famílias endividadas não impediram o setor de faturar R$ 149 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 9,7% sobre o mesmo período do ano passado, segundo a Pesquisa Trimestral de Desempenho da Associação Brasileira de Franchising (ABF).
Mas o crescimento não é igual para todos. Enquanto a média do setor ficou em torno de 10%, alguns segmentos cresceram quase o dobro disso. E eles têm algo em comum: atendem necessidades do dia a dia que o consumidor não corta, mesmo quando o orçamento aperta.
O placar de 2026 até aqui
No primeiro trimestre, o setor faturou R$ 72,7 bilhões, alta de 10,1%. No segundo, foram R$ 76,3 bilhões, crescimento de 9,3%. Todos os segmentos acompanhados pela ABF cresceram no período, mas os destaques mudaram de um trimestre para o outro.
| Segmento | 1º trimestre de 2026 | 2º trimestre de 2026 |
| Alimentação (Comercialização e Distribuição) | 22% | fora dos destaques divulgados |
| Saúde, Beleza e Bem-Estar | 18% | 15,2% |
| Limpeza e Conservação | 13,8% | 17,6% |
| Alimentação (Food Service) | 10,4% | 13,7% |
| Entretenimento e Lazer | entre os cinco maiores | 12,1% |
| Educação | fora dos destaques divulgados | 11,8% |
| Média do setor | 10,1% | 9,3% |
Fonte: ABF, Pesquisa Trimestral de Desempenho do Franchising. A entidade divulga em destaque apenas os segmentos com maior alta em cada trimestre.
Alimentação: a conveniência vira negócio
Com alta de 22% no primeiro trimestre, foi o segmento que mais cresceu no início do ano. Aqui não estão restaurantes, mas redes que vendem alimentos para consumo fora do ponto, como mercados e lojas especializadas.
Por que cresce: a ABF atribui o desempenho à expansão dos mercados autônomos, das operações de conveniência, das cafeterias e das redes especializadas em chocolates. O mercado autônomo em condomínio, que praticamente não existia há poucos anos, virou um dos modelos de expansão mais rápida do país. O Market4u, líder do ranking de microfranquias da ABF, passou de 2.185 para 2.554 unidades em 2025. A Páscoa, concentrada no primeiro trimestre, também costuma impulsionar as redes de chocolate.
O que observar: é um segmento com forte sazonalidade e concorrência crescente. No caso dos mercados autônomos, a quantidade de condomínios disponíveis em cada cidade é finita, e a disputa pelos melhores pontos já é intensa.
Saúde, Beleza e Bem-Estar: o segmento mais consistente
Se há um campeão de regularidade no franchising, é este. O segmento cresceu 13,1% no terceiro trimestre de 2025, 18% no primeiro de 2026 e 15,2% no segundo, sempre acima da média do setor.
Por que cresce: segundo a ABF, o avanço vem de redes de cosméticos, farmácias e serviços de cuidados pessoais, além de academias e clínicas odontológicas. Por trás disso estão mudanças de longo prazo: a população está envelhecendo, o brasileiro passou a tratar o autocuidado como prioridade e serviços como estética e atividade física viraram gastos recorrentes, não ocasionais.
O que observar: é um segmento amplo, que vai de quiosques de cosméticos a clínicas com investimento acima de R$ 500 mil. Modelos que dependem de profissionais técnicos exigem atenção à regulamentação e à retenção de equipe.
Limpeza e Conservação: a terceirização da rotina
Foi o segmento que mais cresceu no segundo trimestre, com alta de 17,6%, depois de avançar 13,8% no primeiro. O movimento não é novo: Limpeza e Conservação já vinha entre os destaques ao longo de 2025.
Por que cresce: a ABF aponta a expansão das lavanderias expressas e de autosserviço e o avanço dos serviços de limpeza profissional. Com o mercado de trabalho aquecido, as pessoas têm menos tempo para tarefas domésticas e passam a terceirizá-las. Apartamentos menores, sem área de serviço, reforçam a demanda por lavanderias. A Lavateria, rede de lavanderias self-service, foi a que mais cresceu no ranking das 50 maiores franquias da ABF.
O que observar: muitos modelos têm investimento baixo e operação enxuta, o que atrai novos entrantes rapidamente. Antes de investir, vale mapear quantas lavanderias ou empresas de limpeza já atendem a região.
Food Service: o retorno da alimentação fora de casa
As redes de restaurantes, lanchonetes e sorveterias aceleraram de 10,4% no primeiro trimestre para 13,7% no segundo.
Por que cresce: segundo a ABF, o desempenho foi puxado por sorveterias e restaurantes de serviço rápido. Formatos compactos, como quiosques, contêineres e operações express, ajudam as redes a abrir mais unidades com investimento menor e a chegar a cidades do interior.
O que observar: alimentação tem margens mais apertadas que serviços, por causa do custo de mercadoria e de mão de obra. O ponto comercial pesa muito no resultado.
Entretenimento, Lazer e Educação: correndo por fora
No segundo trimestre, Entretenimento e Lazer cresceu 12,1% e Educação, 11,8%, ambos acima da média. No lazer, a busca por experiências presenciais segue forte. Na educação, escolas de idiomas, reforço escolar e cursos profissionalizantes se beneficiam da demanda por qualificação e de modelos com mensalidade recorrente.
O fio que une os campeões
O presidente da ABF, Tom Moreira Leite, resumiu a lógica ao comentar o balanço do segundo trimestre: em tempos de gasto mais racional, crescem os negócios ligados à conveniência, ao bem-estar e às necessidades recorrentes. Segundo ele, “o consumidor pode adiar a compra de bens duráveis”, mas segue frequentando farmácias, academias, lavanderias, minimercados e cafeterias.
Na prática, os segmentos que lideram têm três características em comum:
- Recorrência: o cliente volta toda semana ou todo mês, o que dá previsibilidade ao faturamento.
- Conveniência: resolvem um problema perto de casa, economizando tempo do consumidor.
- Baixa dependência de crédito: são compras de valor menor, que não precisam de parcelamento longo e sofrem menos com juros altos.
O que isso significa para quem quer investir
Crescimento do segmento não garante sucesso da unidade. A média de um segmento inclui redes muito diferentes. Dentro de um setor em alta há marcas crescendo forte e outras fechando lojas.
Segmento aquecido atrai concorrência. Quando um modelo cresce rápido, muitas redes entram ao mesmo tempo. Verifique a saturação na sua cidade antes de assinar.
Prefira tendências estruturais a modismos. Envelhecimento da população, falta de tempo e moradias menores são mudanças de longo prazo. Produtos da moda podem perder força em poucos meses.
Olhe o formato, não só o segmento. Segundo a ABF, 60% das franquias do país estão em lojas de rua, 17,3% em shoppings e 10,3% operam no modelo home based. Formatos menores costumam exigir menos capital e permitem testar o mercado com menos risco.
No ano passado o balanço do terceiro trimestre foi divulgado pela ABF em 4 de dezembro. Naquele período, o setor faturou R$ 76,6 bilhões, alta de 9,1%, com Saúde, Beleza e Bem-Estar (13,1%) e Alimentação Comercialização e Distribuição (12,7%) entre os destaques.
O que esperar até o fim do ano
A ABF projeta para 2026 crescimento nominal de 8% a 10% no faturamento do setor, e os dois primeiros trimestres vieram dentro dessa faixa. Para o segundo semestre, a entidade espera a manutenção do desempenho positivo, mesmo com desafios como o alto custo do capital e a transição da reforma tributária. O quarto trimestre, com Black Friday, 13º salário e Natal, costuma ser o mais forte do ano para o varejo e o franchising.
Com 45 anos, é jornalista, especialista em Produção de Conteúdo. É CEO e fundador da Agência VitalCom, editor e fundador do site Mundo das Franquias; e editor e co-fundador do site Educação & tendências. Há mais de 25 anos atuando com Jornalismo e Comunicação, conta sua experiência com passagens por jornais impressos, televisão, rádio e sites, mas se estabeleceu com mais propriedade na Assessoria de Imprensa, onde já acumula 14 anos de vivência. Além disso, é produtor de conteúdo, em especial para o ambiente online, que requer técnicas de SEO, otimização de textos para melhor posicionamento nos buscadores.
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